A reação dos torcedores à nota divulgada por clubes da Série A em defesa da permanência das bets no futebol brasileiro produziu um efeito que os próprios dirigentes não esperavam: repercussão negativa avassaladora.
Monitoramento do Portal 91, com 90.123 interações no X e no Instagram, apontou que 88% das manifestações analisadas criticaram o posicionamento dos clubes.
Outro, realizado pelo Instituto DX, registrou 654,8 mil publicações e 9,3 milhões de interações sobre as bets entre 14 e 21 de setembro.
Um estudo do Sicredi, com uma base de 1,3 milhão de pessoas, encontrou inadimplência 40% maior entre associados que haviam feito apostas online em 2025.
Outro levantamento, do IEPS, estimou em R$ 38,8 bilhões anuais os impactos econômicos e sociais associados às apostas online.
A Confederação Nacional do Comércio, estima que 270 mil famílias entraram em situação de inadimplência associadas às apostas online, entre janeiro e março de 2026.
No mesmo estudo, a CNC apurou que as bets retiraram 143 bilhões do comércio varejista, no mesmo período.
Pois bem, rei morto, rei posto: a substituição já começou a aparecer no horizonte.
O empresário João Adibe, dono da Cimed, diferente dos dirigentes esportivos, comemorou e veio a público para conclamar investidores, para a oportunidade que se apresenta com a saída das bets.
Sua empresa pretende ampliar patrocínios no futebol.
Não se trata de trocar uma marca por outra. Trata-se de discutir que tipo de dinheiro deve financiar o esporte mais popular do país.
Os patrocínios de bets representavam cerca de 7,9% das receitas dos clubes da Série A, segundo levantamento baseado nos balanços de 2025.
A reação das redes sociais mostrou que uma parcela expressiva dos torcedores assimilou muito diferente da imaginada pelos cartolas.
O torcedor pode amar seu clube, comprar camisa, pagar ingresso e defender sua instituição. Mas isso não significa que aceitará automaticamente qualquer fonte de receita em nome da sobrevivência financeira do time.
O que a crise das bets coloca sobre a mesa é uma discussão maior: se o futebol brasileiro não consegue sobreviver sem o dinheiro das apostas, talvez o problema não esteja no fim das bets, mas na dependência que o próprio futebol criou delas.
E talvez o título da postagem, escolhido pelos clubes, tenha revelado, sem querer, a pergunta que realmente importa: é o fim do futebol, ou apenas o fim de um patrocínio que suga o dinheiro proveniente do vício das pessoas?